
Santa Rita do Passa Quatro, 31 de outubro de 1.976
Meus
amigos, meus filhos.
João e eu, tão logo aqui chegamos, nos propusemos
a trabalhar a terra, atividade, esta integrante das tradições
de nossas famílias. O início foi penoso, exaustivo, porém
nossos esforços foram coroados de êxito, pois lado a lado,
nossos filhos e nossas árvores cresceram, tornaram-se fortes
e produziram. Com seus frutos, as árvores nos premiaram
tal qual uma forma de agradecimento por nosso trabalho ao
longo dos anos, e possibilitaram, a nós, cuidar e educar
nossos filhos para que agora, depois de uma existência já
passada, esses mesmos filhos continuem o trabalho que meu
saudoso João e eu começamos, mantendo assim viva a herança
legada por seus pais.
E hoje, 58 anos após o cultivo da primeira árvore, sinto-me
honrada e totalmente agradecida em poder presenciar a obra
neste dia iniciada por meu filho Francisco, tendo ao seu
lado a sua esposa Izaura, cuja força moral e amor possibilitam
ao marido a tranquilidade e abnegação para alcançar o objetivo
proposto.
E esta imagem de hoje, Francisco e Izaura, lado a lado,
reflete em minha memória igual, porém já perdida no espaço.
Maria Antunes Michelan
